quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Quem está a cultivar as manifestações à volta da habitação e custo de vida em Portugal e vários outros países da Europa?

  


As manifestações pela habitação que, no outono de 2026, ocuparam o Rossio em Lisboa e se estenderam a outras cidades portuguesas não surgem isoladas no mapa europeu. Em simultâneo, protestos semelhantes ecoavam em Paris, Madrid e outras capitais, partilhando reivindicações contra a especulação imobiliária, o aumento das rendas e a precarização do direito a uma casa. Esta sincronia não é acidental. Por detrás da mobilização espontânea de jovens, famílias e ativistas locais opera uma teia de organizações que, há anos, articula agendas, partilha recursos e canaliza financiamento de fontes distantes, moldando o discurso e a capacidade de ação no terreno.

No centro desta articulação encontra-se uma rede de associações civis europeias cuja infraestrutura depende, em parte significativa, de programas comunitários. O European Civic Forum, que reúne mais de uma centena de organizações de todo o continente, recebe cofinanciamento da União Europeia através do programa CERV, destinado a promover valores, cidadania e direitos fundamentais. Entre os seus membros portugueses destaca-se a Academia Cidadã, cujos dirigentes ocupam cargos de direcção e de staff no próprio Forum. Esta associação, tal como outras ligadas ao mesmo circuito, participa ativamente na mobilização social em Portugal. O mesmo Forum inclui organizações francesas e italianas — como a Ligue des Droits de l’Homme e a ARCI — que, nos seus países, desempenharam papel destacado na convocação e organização de protestos recentes. O financiamento europeu não se limita a apoiar atividades de sensibilização: sustenta redes de contactos, formação de ativistas e a capacidade logística que permite transformar insatisfação local em ações coordenadas à escala continental.

Paralelamente, uma outra camada de influência opera a partir de circuitos ideológicos e financeiros mais distantes. A organização No Cold War, que assinou um manifesto apelando a greves em massa por toda a Europa, mantém ligações documentadas a Neville Roy Singham, empresário norte-americano residente em Xangai que, segundo investigações internacionais, canalizou centenas de milhões de dólares para um vasto conjunto de entidades sem fins lucrativos. Estas entidades, entre as quais se contam o Instituto Tricontinental de Investigação Social e veículos mediáticos como Breakthrough News e People’s Dispatch, promovem narrativas que combinam crítica ao capitalismo ocidental com uma defesa implícita ou explícita das posições do governo chinês. Singham, que vendeu a sua empresa de software por centenas de milhões de euros, partilha espaços e prestadores de serviços com a Shanghai Maku Cultural Communications, uma estrutura cujo objetivo declarado é “contar bem a história da China” junto de públicos estrangeiros. A mulher de Singham, Jodie Evans, integrou o comité de coordenação da No Cold War. O manifesto Youth International Strike, subscrito por esta organização e por grupos estudantis portugueses como a Greve Climática Estudantil e o Sindicato de Estudantes, não se limita a exigir medidas climáticas: apela à derrota da “extrema-direita” e a ações disruptivas em massa.

As conexões com o espaço português são múltiplas e antigas. O Tricontinental, cujo conselho consultivo internacional é presidido por Singham, manteve contactos com associações de habitação como a Habita! e com figuras ligadas ao Partido Comunista Português. O seu diretor executivo, Vijay Prashad, encontrou-se com membros da direção do PCP e escreve regularmente no jornal AbrilAbril, publicação detida por uma associação fundada maioritariamente por antigos funcionários, militantes e candidatos do partido. Outros investigadores do Tricontinental colaboram com as Edições Avante e com a International Union of Left Publishers. A Breakthrough News, por sua vez, deu cobertura amplificada às manifestações portuguesas, enquadrando-as numa narrativa de revolta europeia reprimida. Estas ligações não implicam necessariamente uma direção centralizada de cada protesto local. Revelam, contudo, a existência de circuitos de financiamento, de produção de discurso e de solidariedade internacional que conferem a movimentos aparentemente autónomos uma capacidade de articulação e de ressonância mediática que ultrapassa os recursos endógenos.

O que se observa, portanto, é a convergência de dois fluxos de recursos e de legitimação. Por um lado, o financiamento comunitário europeu, canalizado através de redes cívicas formalmente comprometidas com os valores da União, sustenta a infraestrutura associativa que permite a mobilização continuada. Por outro, o capital proveniente de uma rede ideológica centrada em figuras com ligações documentadas a estruturas de propaganda chinesas alimenta a produção de narrativas anti-ocidentais, a formação de quadros e a amplificação mediática de conflitos sociais. No caso português, estes fluxos encontram terreno fértil na crise habitacional real e na tradição de organização da esquerda radical e comunista. O resultado é um movimento que, embora enraizado em sofrimentos concretos — rendas insustentáveis, despejos, ausência de habitação pública —, se insere numa dinâmica continental e global em que a luta pelo direito à casa se articula com agendas mais vastas de contestação do sistema político e económico ocidental.

Esta articulação não anula a autenticidade da revolta de muitos dos que acampam no Rossio ou desfilam pela Avenida da Liberdade. Revela, porém, que as forças que atuam a montante — as que financiam, formam, conectam e amplificam — possuem intencionalidades que vão além da resolução imediata do problema habitacional. Compreender essas intencionalidades e os circuitos através dos quais operam é condição necessária para avaliar com rigor a natureza e as potenciais consequências políticas das mobilizações em curso.

Texto gerado por AI a partir de instruções formais específicas do autor deste blog e tendo por base a excelente resenha de factos publicada pela Lobo Media.